terça-feira, 15 de outubro de 2019

Capítulo III - DEHCYMANZ - Parte III

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Por mais que Zímia tenha conhecido e se encantado por tantos outros corpos celestes que visitou nas centenas de missões já realizadas Via Láctea à fora, ela sempre sentiu-se melhor ajustada na casa em que nasceu em sua Investida atual. Além do mais, se sua estadia não era uma questão de escolha, o mais inteligente era se agarrar às boas sensações que cada ponto do Multiverso podem lhe proporcionar, para nunca transformar seu Estar num momento desagradável.

A Lumuz estava em fase de conclusão de uma extensa agenda que foi cumprida no mundo natal, aparentemente tão harmônico e equilibrado, mas que para manter-se assim, em estado de felicidade contínua, exigia uma intensa dedicação de seus Lumuz. Nesta Incursão (estadia, passagem) Prismazzy em aberto, teve de dissolver, pelo menos, nove Dyzformias, que resultaram em uma série de reuniões, tudo para impedir que nascentes de desequilíbrio dessem origem a pontos de conflito entre os habitantes. Além do que, por ser o planeta mais próximo da estrela central de um sistema solar quase 90% habitado, Mercúrio era um alvo preferido de sondas e robôs de pesquisas vindos dos mais variados pontos do Multiverso. Pois cabia à Zímia, e também aos outros Lumuz, localizar e destruir os objetos e criaturas invasoras dignas de atenção. Um processo simples, pois a maioria se tratavam de artefatos inofensivos devido à natureza ignorante e rasa das civilizações que os criaram e lançaram. Ou mesmo que se tratasse de qualquer invasão digna de maiores cuidados, o seu afastamento não exigiria grande empenho ou esforço estendido. Talvez gastasse um período equivalente a minutos terrestres, pois o mesmo conhecimento que serve aos Yahloz para o bem maior, pode levá-los a desenvolver armas e poderes capazes de pulverizar ameaças com poucos esforços.

É claro que para a maioria das espécies curiosas, o planeta Mercúrio é apenas uma bola de ferro, quente e tomada por crateras, incapaz de preservar qualquer espécie de vida inteligente. Um ponto de vista equivocado, mas compreensível: se deve ao fato dos ocupantes de dimensões inferiores não terem maturidade sensitiva e cognitiva, além da rasteira envergadura espiritual, para vislumbrar, detectar, acessar e vasculhar a sociedade que existe e floresce pacificamente em Mercúrio.
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