terça-feira, 15 de outubro de 2019

Capítulo III - DEHCYMANZ - Parte VIII

No seu caminhar característico, cerca de dois quilômetros à frente, Zímia pôde observar ao longe uma forma circular pairando ao alto: sinal de que havia conjurado seu portal de trânsito: um feixe de luz vertical de cerca de um metro e meio de altura por menos de trinta centímetros de largura, contornado por círculos com complexos desenhos geométricos, irradiando uma cintilante e atraente luz esverdeada. Tratava-se de uma forma visível somente para Zímia e, consequentemente, não poderia conduzir ou transportar qualquer outro indivíduo. Mas para que a Lumuz cruzasse o portal, não bastaria apenas que se aproximasse e atravessasse a fresta iluminada. Era preciso que ela entrasse no portal no meio de uma In-Surgência particularmente enérgica, caracterizada por uma profunda Retez: ação semelhante ao nosso “respirar”, é basicamente uma concentração de energia e necessariamente o movimento que precede toda e qualquer In-Sugência. A intensidade da Retez está diretamente relacionada à distância que será atravessada. Quando a distância a ser percorrida é muito extensa e é necessário uma carga maior de energia, é necessário então uma Proxy Retez (chamada somente de Proxy pela óbvia conclusão do termo) ou, para nós, um “Respirar Fundo”, onde o indivíduo acumula o máximo de energia possível para impulsiona-lo no deslocamento. Como Zímia não teria condições de acumular força e energia o suficiente para cruzar o Planeta sem o auxílio de um portal, teve de conjurá-lo, e agora precisava de uma Retez capaz de impulsioná-la na projeção e, em seguida, no trânsito mediado pelo portal.

O resultado da Proxy Retez nela foi o seu corpo e sua aura se expandirem consideravelmente. Ao fim do movimento, a Lumuz estava maior, com a aura expandida e emitindo um brilho de forte intensidade. Quando atingiu a concentração de energia necessária, Zímia lançou-se em intenção, certeza e entrega - três elementos psicológicos fundamentais para qualquer movimento de In-surgência - em direção ao portal, mentalizando o seu destino final.

Para ela, foi como voar suave e agradavelmente até o círculo de luz e mergulhar em um buraco negro.

Para qualquer observador, era como ver um vulto de luz voar em alta velocidade, ser sugado por uma fresta pairando no ar e dentro dela desaparecer.

Zímia fez uma viagem entre portais magnéticos. O principal meio de transporte de longas  distâncias utilizado naquele planeta, livre de estadas, trilhos, aeroportos, portos, atracadouros - que não visassem a viagem intergaláctica. Livre das máquinas de queima de combustíveis. Livre, em todos os aspectos possíveis e imagináveis a qualquer ser humano.

O único maquinário para transporte espacial utilizado pelos Prismazzyans eram as Volluxy, o que os humanos identificariam como ovni’s. Estes, porém, de formas, tamanhos e dimensões muito além do que os terrestres possam ver, perceber ou projetar. Pois a distância evolutiva entre as duas espécies permite que os Yahloz e seus transportes de locomoção massiva possam trafegar livremente pela órbita e adentrar o espaço aéreo terrestre, transitarem entre os habitante e sequer serem percebidos ou terem sua presença sentida; no máximo pressentida ou identificada como um sentimento de paz e felicidade que surgiu sem qualquer motivo ou explicação.
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